Horário: De terça a domingo, das 10h00 às 18h00

Rua Alfredo Guimarães

4800-407 Guimarães

Degolação de São João Batista

 

Degolação de São João Batista

Autor: Mestre Desconhecido

Data: 1510 – 1530

Material: Argamassa de cal e pigmentos

Dimensões (cm): alt. 190 x larg. 239

Proveniência: Guimarães, sala do capítulo do Convento de São Francisco

N.º de Inventário: MAS PD 1

Representação do episódio bíblico da Degolação de São João Batista que surge aqui representado em dois espaços: um exterior – com São João Batista, já sem cabeça, junto de dois soldados – e um interior – onde Salomé entrega a cabeça de São João Batista a sua mãe Herodíade, que se encontra à mesa na companhia do rei Herodes, tendo como pano de fundo uma tapeçaria ou um guadameci. Estes dois espaços partilham o mesmo pavimento que se prolonga até às arquiteturas de fundo.

Assim, como refere Paula Bessa, a oficina que executou esta pintura projetou a composição de modo a indicar um cenário palaciano ao modo da época em que se realizou a pintura, tendo lugar um banquete ambientado por um pano de armar com padrão de brocado, por trás do rei e da sua rainha, Herodíade, sentados à mesa, sobre a qual se dispõem iguarias e objetos expectáveis numa cerimónia e numa mesa quinhentista. O próprio vestuário dos guardas corresponde ao desta época e o mesmo acontece com as vestes das restantes personagens figuradas.

A Degolação de São João Baptista apresenta uma série de características notáveis e que estão sistematicamente presentes nas obras da oficina que realizou esta pintura. Segundo a abalizada opinião de Ignace Vandevivere e José Alberto Seabra Carvalho, pode ficar a dever-se à mão de um pintor cujo nome se desconhece, mas que vem sendo designado como O Mestre Delirante de Guimarães.

Este fresco da Degolação de São João Batista e o fresco do Batismo de Cristo, já desaparecido, constituíam os temas principais da decoração fresquista da sala capitular, que teve, na segunda metade do século XVI, uma capela dedicada a São João Batista. A sua preservação ficou a dever-se ao esforço do primeiro diretor do Museu de Alberto Sampaio, Alfredo Guimarães, que deu conta da existência de outros frescos dispersos por várias dependências do cenóbio e que, à exceção dos Santos Franciscanos, se perderam.