Horário: De terça a domingo, das 10h00 às 18h00

Rua Alfredo Guimarães

4800-407 Guimarães

Loudel

 

Loudel

Autor: Desconhecido

Data: Século XIV, final

Material: Fio de lã, fio de seda policromada, fio metálico dourado | Forro – Fio de seda castanha | Material de enchimento – Fio de linho, lã carmeada

Dimensões (cm): alt. 138 x larg. 99

Proveniência: Guimarães, Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira

N.º de Inventário: MAS T 5 (7)

O loudel é uma das peças mais emblemáticas do Museu de Alberto Sampaio. Terá sido usado por Dom João I na Batalha de Aljubarrota, no dia 14 de agosto de 1385, e oferecido pelo monarca a Santa Maria da Oliveira, em sinal de gratidão pela vitória alcançada nessa real batalha.

Trata-se de uma peça de vestuário militar, constituída por uma série de camadas de linho acolchoadas com enchimento de lã e teria sido exteriormente revestida por tecido de lã verde e bordada a fio de seda e ouro. Segundo Fernão Lopes, era semeado com rodas de ramos e escudos de São Jorge. Hoje, são visíveis apenas restos do escudo de Dom João I, nomeadamente das quatro pontas da cruz de Avis.

Era um traje leve, que permitia grande mobilidade e era usado sobre a cota de malha. Por cima, podiam ser usadas peças soltas da armadura.

Apesar de ser uma peça de vestuário que protegia o corpo (da própria armadura e dos golpes do inimigo), o loudel também servia para identificar quem o vestia. Em Aljubarrota, de acordo com Maria Emília Amaral Teixeira, os portugueses usavam loudéis com o escudo de São Jorge, o seu santo protetor, e os castelhanos loudéis com o escudo de Santiago. Fernão Lopes refere que, depois da batalha ganha pelos portugueses, os castelhanos fugiram e viraram os seus loudéis do avesso para não serem identificados. Também, aquando do encontro entre Dom João I e o duque de Lencastre, Fernão Lopes refere que o rei “…deu a todos que andavam com ele de cote, que seriam até quinhentas lanças, loudeis de fustão branco com cruzes de S. Jorge…”.

É uma das mais raras vestes militares do século XIV existentes no mundo. Deste período, conhece-se uma outra que pertenceu ao Black Prince, o filho mais velho do Rei Eduardo III de Inglaterra e tio de Dona Filipa de Lencastre, a esposa de Dom João I.

Os portugueses consideram-no uma relíquia e foi classificado como Tesouro Nacional em 2006, pelo Decreto n.º 19/2006, de 18 de julho, e respetiva declaração de retificação n.º 62/2006, de 15 de setembro.