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4800-407 Guimarães

Penitência de D. Egas Pais perante São Geraldo, Arcebispo de Braga

 

Penitência de Dom Egas Pais perante São Geraldo, Arcebispo de Braga

Autor: Simão Álvares (?)

Data: Século XVII, meados

Material: Óleo sobre tela

Dimensões (cm): alt. 126,5 x larg. 151

Proveniência: Guimarães, Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira

N.º de Inventário: MAS P 49

À direita, um sacerdote, paramentado com casula e manípulo, está de costas para um altar. A seus pés, prostado no solo, um homem, que tem a seu lado uma mulher e um menino ajoelhados, seguidos de vários figurantes, também ajoelhados. Ao centro, de pé, destaca-se uma figura masculina bastante alta, apoiada em cadeira de couro. No canto superior esquerdo, um demónio agarra um homem pelos cabelos.

A esta tela foi atribuído o título São Teotónio celebrando perante Dom Afonso Henriques e seu séquito. No entanto, Manuela Alcântara dos Santos apresenta uma proposta diferente, identificando a cena representada com o episódio da Penitência de Dom Egas Pais perante São Geraldo, Arcebispo de Braga. Entre outros aspetos iconográficos, destaca um pormenor do quadro anteriormente ignorado. No canto superior esquerdo da pintura, uma porta aberta serve de moldura a uma cena fantástica que parece passar-se noutro espaço-tempo: um homem é arrebatado pelos cabelos por um demónio chifrudo. Manuela Alcântara dos Santos associa esta tela a um episódio relatado na Vida de São Geraldo, protagonizado por Dom Egas Pais de Penagate e por este arcebispo. Egas Pais, rico-homem contemporâneo de Dom Afonso VI de Leão e Castela, senhor do couto de Penagate, perto de Vila Verde, terá casado com uma parente próxima e foi acusado de comportamento incestuoso, pelo que foi excomungado por este arcebispo. Um dia, quando São Geraldo celebrava missa perante o Conde Dom Henrique, Dona Teresa e a sua corte, Egas Pais quis entrar na igreja e, tendo sido impedido pelo arcebispo de Braga e pelo Conde, reagiu violentamente, ficando possesso do demónio. Relata a Vida de São Geraldo que, no fim da missa, o senhor de Penagate lançou-se aos pés do santo, reconheceu que tinha errado e pediu perdão, tendo sido acolhido pelo santo, que lhe aplicou uma penitência.

Esta tela, bem como outras três (P 46, P 47 e P 48), tem origem no programa decorativo da Colegiada de Guimarães, desmantelado com as obras de reconstrução de 1675, devendo remontar ao tempo do prior Dom Diogo Lobo da Silveira, que tão veementemente dotou o templo com referenciais explícitos ao historial mítico do lugar dentro de um contexto de representação nacionalista. Estas telas testemunham objetivos propagandísticos da retórica da Restauração, contribuindo para a exaltação nacionalista a que o tempo de guerra contra as tropas filipinas convidaria.