Horário: De terça a domingo, das 10h00 às 18h00

Rua Alfredo Guimarães

4800-407 Guimarães

Sonho de Jacob

 

Sonho de Jacob

Autor: Oficina de Simão Álvares (?)

Data: Século XVII, meados

Material: Óleo sobre madeira de castanho

Dimensões: alt. 89,5 x larg. 105

Proveniência: Guimarães, Convento de Santa Clara

N.º de Inventário: MAS P 17

Esta pintura retrata o episódio descrito no Antigo Testamento (como indica a legenda presente: GENES. C. 28), no qual Deus desce até Jacob para lhe confirmar que estará com ele e o protegerá, bem como à sua descendência.

Nesta obra, Deus aparece sob a forma de luz ao cimo de umas escadas que fazem a união entre o céu e a terra e que são percorridas por anjos. A figura de Jacob aparece adormecida no canto inferior direito da composição. No plano de fundo, vê-se uma figura com as mesmas vestes, que poderá representar a sua viagem, antes de descansar e comunicar com Deus através do sonho.

Esta tábua pertence a um conjunto mais vasto (MAS P 17 a MAS P 29 e MAS P 60) que integra as coleções do Museu. São pinturas a óleo sobre madeira de castanho descobertas pelo primeiro diretor do Museu de Alberto Sampaio, Alfredo Guimarães, numa parede falsa da antiga Casa do Cabido da Colegiada de Santa Maria da Oliveira, posteriormente incluído no fundo patrimonial do Museu (1947). Recentes investigações permitiram concluir que este conjunto de pinturas pertenceu ao extinto Convento de Santa Clara, decorando a Sacristia.

Presentemente, atribui-se a autoria deste conjunto de tábuas a mestre local desconhecido. Aventou-se a hipótese destas obras pertencerem à oficina vimaranense de Simão Álvares, mas, tendo em consideração as características iconográficas e de estilo, concluiu-se que foram pelo menos dois os artistas intervenientes, um deles mais ágil no desenho e mais erudito já que alguns destes painéis revelam um domínio técnico e uma personalidade superiores.

Foi também possível concluir que a principal fonte iconográfica utilizada foram as gravuras maneiristas nórdicas do xilogravador Jost Amman (1539 – 1591) (editadas em Frankfurt no ano de 1580). Os temas do Velho Testamento são muito pouco comuns na arte portuguesa do século XVII, sendo os motivos preferidos pelos pintores ou pelos encomendadores a vida de Cristo, dos santos e da Virgem, pelo que se compreende a utilização de ilustrações estrangeiras como fonte de inspiração para representar outros temas bíblicos.