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Com base em imagens captadas no ano da Capital Europeia da Cultura – Guimarães 2012, a artista Tânia Dinis compilou momentos da “Ronda da Lapinha” que deram origem a uma instalação audiovisual que vai agora ser apresentada no Palacete de Santiago, a partir do dia 29 de maio. A inauguração está marcada para as 17h00.
O projeto acompanha todo o percurso da “procissão” ao longo das freguesias pelas quais passa desde que sai da Igreja de Nossa Senhora da Lapa até que termina na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, assim como a atmosfera da preparação da festa e da sua vivência, constituindo um registo desta manifestação religiosa.
A instalação combina o carácter ficcional e documental, “numa reinterpretação livre, de registos íntimos, fugazes, subtis, e o confronto com os mesmos”, por parte da autora, tendo por base as suas próprias memórias.
A Ronda da Lapinha percorre 21 km entre o santuário da freguesia de Calvos e a Igreja da Oliveira, no centro da cidade de Guimarães. Trata-se de uma das principais práticas devocionais vimaranenses, com origem no século XVII, uma vez que a referência mais antiga a este culto remonta a 1612.
Nota biográfica
Tânia Dinis (Vila Nova de Famalicão, 1983) é realizadora e artista de artes performativas, desenvolvendo um percurso interdisciplinar no cruzamento entre cinema experimental, documental e práticas artísticas contemporâneas
Encontra-se a frequentar o doutoramento em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), onde concluiu o Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas (2015). É licenciada em Estudos Teatrais pela ESMAE (2007) e frequentou formação na Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV, Cuba), com especialização em criação cinematográfica a partir da memória familiar (2020).
A sua filmografia tem obtido reconhecimento nacional e internacional, destacando-se o filme “Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas”, premiado no IndieLisboa (Melhor Curta Portuguesa) e no MDOC (Melhor Documentário Português, 2024), bem como no Rome Independent Cinema Festival e no Porto Femme International Film Festival (2025), tendo ainda recebido o Prémio do Público na Mostra Internacional de Cinema Etnográfico do Museo do Pobo Galego. Outros trabalhos, como “Laura” (Melhor Filme, Arquivo em Cartaz, Brasil, 2017) e “Não são favas, são feijocas” (2013), foram distinguidos em múltiplos festivais internacionais.
É docente no ensino superior nas áreas do Cinema e do Teatro (Universidade do Minho e ESAP). Tem integrado júris de festivais como o Porto/Post/Doc, o MICE e o Curtas Vila do Conde, e o seu trabalho integra a Coleção de Arte Contemporânea do Município do Porto.